Sem poesia, a vida seria a morte.
domingo, 14 de novembro de 2010
...Espaço e tempo que me abre e me descobre
Sem medo de me atravessar
me torno nuvem
Água que evapora e se densifica
Venho como nuvem que diz que sou água e nem sabia
Sabia que era um rio, mas antes chuva e antes nuvem
E sempre água, mas antes sede
Fonte e sede ao mesmo tempo,
em outro espaço interno
do desconhecido céu de onde eu sei o que aprendo de mim e
do mundo. Na terra quente,
poesia de água, chove em mim e me aquece.
Me ensina-me.
sábado, 16 de outubro de 2010
..
Um fim inconsciente
Seria um pouco menos num tempo demais
Um olhar sem ser espelho
não se pode se ver o que antes brilhava
um através
que atravessa sem querer
Estar sem sentir,
Existir sem ser.
Pelos óculos se esconde os olhos
Mais do que a retina pode iluminar
Pela dor se esconde o fim,
Pelo fim se esconde a vida.
Por tudo o que poderia crer
Resta o não acreditar em ser
o possível é inacreditável somente quando se olha e não se vê.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um Par de sapatos
Ainda que nunca mais precisasse de um, eu teria pelo menos dois. Pois de um só sapato nada posso esperar. Preciso de um par..Tenho meus pés, mas não sabem andar.
Queria então dançar. A vida ficaria mais viva se, ao invés de andar, dançássemos. ...Mas eu não sei dançar... Nem caminhar...
Preciso de um par de sapatos, delicados, com um salto breve que me permita olhar um pouco alem do horizonte que minha altura alcança.
Seria então mais alta, mais leve, quase desaparecendo na luz no caminhar e no dançar.
Eu seria mais bela com um par de sapatos que já soubesse dançar. Queria meu par. Se eu esperar, ele deve encontrar meus pés.
Claudia Quintana
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
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