Sem poesia, a vida seria a morte.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ao pé da letra



Estou com meus pés nas letras

e por elas caminho cuidadosa

nelas me perco e

por elas me encontro


e os (meus) pés sobre as letras

tão brancos e delicados,
trazem meu caminho num papel transparente de seda e
por eles
me ofereço leve, a caminhar com tato

decifrando cegos
essa nova terra, um novo relevo

Aos pés da letra
me deito de um outro jeito

e te adormeço envolto nos braços
pedindo para as tuas palavras

alguma verdade

que me decifre, traduza-te
nesse novo ar, brisa, sem sons,

quietude

Aos pés da letra
me enudeço corajosa
E hoje sinto (de) mais
tanta sede dessa água que me toma

a alma faminta de você

Aos pés da letra,
fecho meus olhos e aprecio

num sorriso, rio
da minha doce e macia
escuridão e
no teu fogo sem luz

me aquece

Aos pés da letra
me acredito
ajoelho-te
e rezo-nos:

que (por amor) as minhas letras te salvem
e me atravesse a nós nesse encontro
e (por amor),

salve-me.


CQ




O teu silêncio sopra
dentro de mim
vento forte
que me espalha as lembranças
e desordena as palavras.

Fecho os olhos
com a força
não encontro mais
como me lembrar
porque teus olhos existiram?

E chega enfim
o tempo que não posso mais ouvir nada
além do teu silêncio.

Gratidão por esse vento emudecido,
grita alto em mim e me espalha
numa desordem que vai e
me busca em resgate, salva-me

há tempos e já posso me dormir
não consigo mais te pensar.
Começo a esquecer?

Respiro,
inspiro a vida
que me testa
e me resta a dor
de ser areia,
Infinita e pequena.

Quanto tempo?
A vida. Aquela que falta.

CQ

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Gosto muito de olhar o mar e
pensar que é ele que me olha.

e o mar...o mar?
Quando o mar me olha, com seus olhos de ressaca
ele me cresce..
sou, sinto, quero, tenho e posso mais.

E cabe em mim esse mar, maior que eu. CQ

queria
que meu único espelho
fossem os olhos de quem gosta de mim

nesses olhos
vejo os meus melhores olhos
os mais brilhantes que já tive
e uma vida nova se ilumina em mim

nesse espelho de olhos que me amam
eu sou mais feliz que eu. CQ

sábado, 29 de janeiro de 2011


A poesia reflete o que falta no poeta.
Um poema tem magia dentro de si,
uma espécie de alquimia, uma autocura verdadeira..

Mas mal sabe o poeta que na hora em que cria o poema
acaba por encontrar sua própria ausência, cura-se.

e se presencia por si mesmo..

hoje,
meu coração me excede..
vivo,
e sem urgência,
me (re)encontro.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Retrato nos teus olhos


num súbito instante me lembro dos teus olhos
e reconheço neles o que sou verdadeiramente
num pensamento não benvindo que se entrega em detalhes
em tão breve lembrança
que esquece sobre mim suas sombras
e me agrada me ver novamente,
por sua voz, por seu coração, por sua sombra
clara.

CQ
Um poema já nasce predestinado,
na primeira palavra já tem sua direção de vida, seu sentido..
Tem algo de destino a se cumprir num poema,
um sílaba de mistério sobre algo que vai acontecer,
mais cedo ou mais tarde.

Talvez melhor que seja mais tarde, mas sempre seja.
CQ

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Frente e verso

Olho em frente:
procuro por quem mereça um meu
horizonte.
E só encontro o verso.

Hoje meu coração me excede
vivo
e isso (quase) me basta.