Vem
Sem nome >>>>Vem >>>>Sem sobrenome, vem... >>>>Traz a sua identidade; >>>>Vem morar nesta cidade pra ficar perto de mim. >>>>Vem >>>>Sem fone >>>>Vem sem telefone, vem... >>>>Com a sua voz macia, >>>>Venha clarear meu dia -conjunção-de um milhão de sóis. >>>>E tudo será verde como a esperança dos faróis; >>>>E tudo em nós, nossa porta, nossa mesa, nossa voz >>>>Será a certeza do amor >>>>em paz.
M.V.
Réplica
Pode ser que já tenha nome
e até sobrenome
talvez tenha fone
e até telefone,
incerta identidade..
talvez já more
na minha cidade
Pode ser que já tenha
uma boa chance se ser feliz nos verdes faróis,
de ser um eclipse
entre os milhões de sóis..
..mas como saber
se o cheiro me respira
sabendo que a voz já me dissolve
na paz?
como saber
se o toque
pode me estremecer?
e se o abraço
pode me conter,
seria muito bom sentir
se os olhos podem me existir
E se o amor me inspira
viver. CQ
Sem poesia, a vida seria a morte.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Só sei
que nada sei.
..me disseram que quem disse isso foi Sócrates, mas eu não sei não...
Vontade de ir lá fora e ver se a chuva vai dormir bem,
vontade de ser metade,
um quase.
Ficar num susto, como a pergunta distraída quando encontra a resposta que, com fome, a devora.
Seja o que for, saber não sei.
Sinto, e isso chove em mim,
e me transborda. CQ
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Vida estranhaEra uma vez um menino mágico chamado Tédio
Ele tinha o dom de multiplicar o tempo.
Sempre que ele estava presente o tempo duplicava.
Mas ele não sabia o que fazer com tanto tempo.
A menina mágica se chamava Prazer.
Ela tinha o dom de engolir o tempo.
Sempre que ela estava presente o tempo desaparecia.
Hoje sonhei que havia alguém Divino
um anjo de asas fluidas
que fazia o tempo se demorar na menina.
Vida estranhamente feliz esta. CQ

o tempo passa
as coisas mudam
os sentimentos permanecem.
sagrada ordem, mas
o que acontece primeiro?
eu achava que em primeiro lugar o tempo passava, mas
fico em dúvida se as coisas mudam mais rápido que o tempo..
até então que se saiba que os sentimentos permanecem..
ou será que eles estiveram sempre presentes,
antes das coisas, antes do tempo?
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Namorados do Mirante
Eles eram mais antigos que o silêncio
A perscrutar-se intimamente os sonhos
Tal como duas súbitas estátuas
Em que apenas o olhar restasse humano.
Qualquer toque, por certo, desfaria
Os seus corpos sem tempo em pura cinza.
A Remontavam às origens — a realidade Neles se fez, de substância, imagem.
Dela a face era fria, a que o desejo
Como um hictus, houvesse adormecido
Dele apenas restava o eterno grito
Da espécie — tudo mais tinha morrido.
Caíam lentamente na voragem
Como duas estrelas que gravitam
Juntas para, depois, num grande abraço
Rolarem pelo espaço e se perderem
Transformadas na magma incandescente
Que milénios mais tarde explode em amor
E da matéria reproduz o tempo
Nas galáxias da vida no infinito.
Eles eram mais antigos que o silêncio...
Vinicius de Moraes, in 'O Operário em Construção'
Preciso aceitarde quase tudo
não existe nada
coincidência ou acaso
E por acaso, no caos se nascem flores
e no caos, elas morrem
Preciso aceitar
que tudo que pareça branco
papel de sal
algo que já estava escrito
com letras invisíveis, ilegíveis
talvez incolores
E que agora deixo tanta poesia
mas não posso ler.
Nada mais está escrito. CQ
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