Sinto agora mesmo o coração batendo desordenadamente dentro do peito. ...O mar apaga os traços das ondas na areia. Oh Deus, como estou sendo feliz. O que estraga a felicidade é o medo. Fico com medo. Mas o coração bate.
Clarice Lispector em Água Viva, pg 66-67
Sem poesia, a vida seria a morte.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Uma dor estranha e desconhecida retorna
numa noite clara, o sorriso da lua guia um ser ferido
que volta cego de seu exílio
chega de mãos secas
de onde nunca foi bem vindo
Uma dor que me reabre
a carne morna
remove meus ossos frágeis
e anoitece (de novo) meus olhos sem luz.
é meu coração, de volta ao peito.
CQ
numa noite clara, o sorriso da lua guia um ser ferido
que volta cego de seu exílio
chega de mãos secas
de onde nunca foi bem vindo
Uma dor que me reabre
a carne morna
remove meus ossos frágeis
e anoitece (de novo) meus olhos sem luz.
é meu coração, de volta ao peito.
CQ
terça-feira, 29 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
Tomando chuva na Pedroso Alvarenga, pensando vagueantemente:
Alguns acham que o trabalho dará.
Outros pensam que o destino dará.
Ainda tem aqueles que acreditam que só um outro alguém dará.
Eu escolhi me deixar tudo ao "Deus dará"
Está dando tudo mais certo assim.
(pelo menos do lado de dentro da vida)
...adoro tomar chuva.
Alguns acham que o trabalho dará.
Outros pensam que o destino dará.
Ainda tem aqueles que acreditam que só um outro alguém dará.
Eu escolhi me deixar tudo ao "Deus dará"
Está dando tudo mais certo assim.
(pelo menos do lado de dentro da vida)
...adoro tomar chuva.
sábado, 26 de novembro de 2011
Dar-se enfim
O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que se estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e o coração, e não estou perdendo nada! E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre! Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso de ser. Mas vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza com este vazio-pleno: gastá-lo.
Clarice, (a minha) Lispector
em Aprendendo a Viver, pg 78
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada.
Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.
Clarice, a Lispector em Felicidade Clandestina
Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.
Clarice, a Lispector em Felicidade Clandestina
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
A Manuel Bandeira
Quando eu estiver mais triste
mas triste de não ter jeito,
quando atormentados morcegos
– um no cérebro outro no peito –
me apunhalarem de asas
e me cobrirem de cinza,
vem ensaiando de leve
leve linguagem de flores.
Traze-me a cor arroxeada
daquela montanha – lembra?
que cantaste num poema.
Traze-me um pouco de mar
ensaiando-se em acalanto
na líquida ternura
que tanto já me embalou.
Meu velho poeta canta
um canto que me adormeça
nem que seja de mentira.
Olga Savary
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Tem dia que dá uma vontade infantil de por todos os problemas numa linda caixa de porcelana e acomodar direitinho no alto da estante mais alta.
Problemas decorativos,
arquiváveis.
Disponíveis apenas para consulta com agendamento.
Era o que eu queria e precisava.
CQ
Foto: Biblioteca do Castelo em a Bela e a Fera
Problemas decorativos,
arquiváveis.
Disponíveis apenas para consulta com agendamento.
Era o que eu queria e precisava.
CQ
Foto: Biblioteca do Castelo em a Bela e a Fera
terça-feira, 15 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação.
Simplesmente, eu sou eu, você é você. É livre, é vasto, vai durar.
Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida mas, por enquanto, olha pra mim, e me ama!
Não! Tu olhas pra ti e te amas.
É o que está certo.
Clarice, a Lispector
É o que está certo.
Clarice, a Lispector
domingo, 13 de novembro de 2011

As coisas têm peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, du-ração, densidade, cheiro, valor, consistência, pro-fundi-dade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, des-tino, idade, sentido.
As coisas não têm paz.
Arnaldo Antunes
Foto - RJ - Rocinha hoje de madrugada - Folha Uol
sábado, 12 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Alguma poesia que me salve

Inquietude
Esse olhar inquisitivo que me dirige às vezes nosso próprio cão...
Que quer ele saber que eu não sei responder?
Sou desse jeito...
Vivo cercado de interrogações.
Dinheiro que eu tenha, como vou gastá-lo?
E como fazer para que não me esqueças?
(ou eu não te esqueça...)
Sinto-me assim, sem motivo algum,
Como alguém que estivesse comendo uma empada de camarão
sem camarões
Num velório sem defunto...
Mario Quintana
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